“Fazendo” Higienistas Ocupacionais[1]
Berenice
I. F. Goelzer
Higienista
Ocupacional, CIH
E-mail: berenice@goelzer.net
“Fazer” higienistas ocupacionais não é somente
uma questão de formação, pois além de conhecimentos, são necessários experiência,
fidelidade a um código de ética, e também uma grande dose de compromisso e
perseverança. Somente um compromisso
sério para com a proteção da saúde dos trabalhadores e do meio ambiente, bem
como a convicção de que a higiene ocupacional desempenha um papel indispensável
neste campo, pode nos dar a perseverança de lutar por ela.
Através de formação e experiência, os higienistas ocupacionais devem ser
capazes de realizar uma série de tarefas principalmente:
· Prever fatores de risco para a saúde
e para o meio ambiente que podem estar associados com os diferentes processos
de trabalho e atuar antecipadamente para preveni-los, através de medidas que
incluem a planificação adequada e a seleção de tecnologias limpas.
· Reconhecer agentes e fatores de
risco (produtos químicos e poeiras, agentes físicos e biológicos, fatores
ergonômicos e psicossociais) que podem estar presentes num local de trabalho,
determinar as condições de exposição e entender seus possíveis efeitos na saúde
e bem-estar dos trabalhadores.
· Avaliar a exposição dos
trabalhadores a agentes e fatores de risco, através de métodos qualitativos
e/ou quantitativos e interpretar os resultados obtidos, com vistas a eliminar a
exposição, ou reduzi-la a níveis aceitáveis.
· Projetar e/ou recomendar medidas de
prevenção e controle de riscos, eficientes e econômicas, e integrá-las em
programas bem gerenciados e sustentáveis.
· Reconhecer agentes que podem ter
impacto sobre o meio ambiente e contribuir para a proteção ambiental.
Além disto, higienistas ocupacionais
devem trabalhar bem integrados em equipes multidisciplinares de saúde
ocupacional.
A formação em higiene ocupacional deve ser polivalente. Em primeiro lugar, é necessária uma
base sólida de conhecimentos básicos, provenientes de diferentes ciências e
profissões, incluindo: química, física,
toxicologia, fisiologia, bioquímica, estatística, epidemiologia, ergonomia,
psicologia, engenharia (processos tecnológicos), segurança, medicina (efeitos sobre a saúde),
saúde publica, ciências ambientais, comunicação, gestão.
Tópicos específicos devem tratar
desde a evolução histórica e aspectos legais da higiene ocupacional até estratégias, metodologias e técnicas para:
·
ações
preventivas antecipadas (antecipação de riscos)
·
reconhecimento
de todos os tipos de riscos
·
avaliação
da exposição e interpretação dos resultados
· prevenção e controle de riscos (incluindo
programas e sistemas de gestão)
Obviamente, a experiência prática é
também essencial.
Minha visão de um (a)[2]
higienista ocupacional de prática abrangente (“comprehensive practice”) é a de
um “médico de clinica geral do ambiente de trabalho”, capaz de percebê-lo como
um todo (compreendendo processos de trabalho e trabalhadores, instalações e
circunvizinhanças) e de “diagnosticar” se algo está errado, identificando
eventuais problemas e avaliando sua magnitude, para então recomendar o que deve
ser feito para “tratá-lo e curá-lo”, consultando outros especialistas quando
for preciso.
Existem também higienistas ocupacionais que
preferem se concentrar em áreas específicas e que devem, então, trabalhar com
colegas que tenham competências complementares.
Qualidade é um aspecto
critico
Competência deve ser alcançada, verificada e
mantida. Portanto, a acreditação de cursos e a certificação de profissionais
são de importância fundamental.
Cursos de formação em higiene ocupacional devem
satisfazer certos requisitos básicos quanto a currículo, corpo docente,
instalações e infra-estrutura (incluindo sistemas de informação).
Profissionais devem demonstrar contínua
competência. Através do trabalho
dedicado de seu Comitê de Certificação, a Associação Internacional de Higiene
Ocupacional (IOHA) tem contribuído para este tópico tão importante, através do
desenvolvimento de um Programa Modelo de Certificação e da promoção de esforços
para harmonizar procedimentos de certificação em diferentes países.
Um “espaço” para os higienistas ocupacionais
“Fazer” higienistas ocupacionais não é suficiente. Em muitos lugares, ainda é necessário criar condições para sua
existência e aceitação, lado a lado com todos os outros profissionais de saúde
ocupacional.
O impacto positivo que a higiene
ocupacional pode ter, não somente quanto à saúde dos trabalhadores, mas também
quanto à proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e globalização decente, ainda não foi inteiramente
percebido por todas as pessoas envolvidas com estes assuntos.
Ouvem-se muitas afirmações
simplistas, como, por exemplo, “a tecnologia
é a responsável pela destruição do planeta”, ou, “se os produtos
químicos tóxicos forem banidos, os
trabalhadores estarão protegidos”.
Entretanto, todo o mundo continua a
se alimentar, a usar roupas e sapatos, a viver em algum tipo de habitação, a
tomar remédios, a utilizar automóveis, ônibus e aviões, a ler e olhar
televisão, e portanto de alguma forma necessitar que sejam utilizados muitos
tipos de produtos químicos, plásticos, cimento, vidro, madeira, papel, etc.,
etc. Por que não enfrentar a realidade de que existem necessidades de
sobrevivência, de qualidade de vida e também de lazer, e tentar encontrar uma formula para satisfazê-las sem
prejudicar a saúde dos trabalhadores e o meio ambiente ? Um ingrediente essencial nesta formula é a prevenção e controle dos fatores de risco associados com os
processos de trabalho, ou seja a prática da higiene ocupacional.
Mesmo assim, existem muitas
iniciativas e projetos com metas que, para serem alcançadas, requerem a
contribuição da Higiene Ocupacional, e que, apesar disto, não incluem em suas
agendas a disponibilidade de higienistas ocupacionais.
Alguns Exemplos
Saúde do Trabalhador
Muitos
idealistas, que lutam pela saúde dos trabalhadores, ignoram a extensão dos
conhecimentos necessários para assegurá-la e protegê-la, e (para meu contínuo espanto) não parecem
preocupadas pela escassez, ou mesmo pela falta, em seus países, de higienistas
ocupacionais adequadamente formados.
Mesmo organizações de trabalhadores raramente incluem o desenvolvimento
da Higiene Ocupacional entre suas prioridades.
Uma afirmação pública recente, por
parte de uma pessoa líder na luta pela saúde dos trabalhadores (e que muito
me desapontou) foi a seguinte: “é obvio que a higiene ocupacional falhou em
proteger a saúde dos trabalhadores”.
Isto não é verdade; neste caso, a falha é dos legisladores e de alguns
profissionais de saúde ocupacional que não conseguem entender a importância da
Higiene Ocupacional e o que é preciso para que seja bem praticada.
Ainda vemos paradoxos, como o que
está acontecendo agora em certo país, onde uma norma legislativa nacional,
requer que todos os locais de trabalho tenham programas para a “antecipação,
avaliação e controle de fatores de risco ocupacional”, enquanto a
higiene ocupacional está longe de ser oficialmente reconhecida como uma
profissão, sendo de fato seguidamente ignorada ou mesmo bloqueada. Neste país, existe um requisito legal, porém
não existe nenhuma disposição oficial para assegurar a disponibilidade de
profissionais competentes para implementá-lo.
Neste caso particular (que aliás
também ocorre em outras partes do mundo), o resultado tem sido que a
proteção da saúde, bem estar, e mesmo da vida dos trabalhadores, fica muitas
vezes entregue a pessoas que não tem a formação e a competência necessárias.
Por que isto acontece ? Não
queremos profissionais especializados
para tratar-nos se estivermos doentes ? ou representar-nos numa causa jurídica
? ou para construir nossas casas ? Por
que não fazemos esta exigência quando se trata de defender nossa saúde no
trabalho ?
Proteção Ambiental
A higiene ocupacional, se bem praticada, pode contribuir
apreciavelmente para a proteção do meio ambiente. Se um produto químico tóxico for eliminado de
um processo de trabalho, ou for utilizado sob controle rigoroso, não afetará
nem a saúde dos trabalhadores, nem irá além, poluir o meio ambiente.
Uma boa gestão de riscos no local de
trabalho, que inclua o tratamento adequado de efluentes e resíduos, pode
contribuir de maneira significativa para limitar o impacto negativo da
industrialização no meio ambiente.
Entretanto, conferencias e
publicações sobre proteção ambiental, e mesmo sobre produção limpa, nem sempre
enfatizam o elo importante e indispensável com a higiene ocupacional.
Seguidamente ambientalistas ignoram a necessidade de incluir higienistas
ocupacionais em seus programas.
Desenvolvimento Sustentável
“É possível haver um desenvolvimento
que satisfaça as necessidades da população mundial atual em termos de alimentação, água, energia, e habitação, sem causar
efeitos adversos na saúde e no meio ambiente, e, sem esgotar nem danificar a
base global de recursos naturais, portanto sem comprometer a habilidade das
gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades.”
Este é o paradigma do desenvolvimento sustentável e neste sentido, mais
uma vez, a higiene ocupacional tem um papel a desempenhar.
Higienistas ocupacionais devem
incluir, em sua prática, preocupações quanto ao desenvolvimento sustentável, e
deveriam ser envolvidos em muitos dos aspectos relacionados (o que não é fácil de conseguir!). Ainda há muito que fazer no sentido de chegar
a uma melhor compreensão e colaboração interdisciplinar e intersetorial.
Globalização
A globalização pode contribuir para
melhores padrões de vida no mundo, desde que as políticas de comercio levem em
consideração questões sociais, tais como direitos humanos, saúde dos
trabalhadores, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável. Certos avanços tecnológicos, que tornaram
possível a globalização da economia, podem ser ao mesmo tempo utilizados para a
melhoria das condições de trabalho e para a proteção ambiental, em âmbito
mundial. Tecnologias limpas e seguras
podem e devem ser cada vez mais desenvolvidas e utilizadas em toda parte. A tecnologia de informação tem contribuído
imensamente para os intercâmbios de conhecimentos e experiências, inclusive
quanto à ocorrência de riscos ocupacionais, sua prevenção e controle.
Infelizmente, as regras da
globalização são freqüentemente ditadas pelos mercados financeiros, e a
perspectiva de lucro seguidamente sobrepõe-se às preocupações pelas dimensões sociais. Por exemplo, acontece que, à medida que as
normas referentes à saúde e ao meio ambiente se tornam mais rigorosas e seu
cumprimento mais dispendioso em certos países, processos de trabalho poluidores
e com muitos riscos, são transferidos para outros lugares (geralmente de países desenvolvidos para nações em vias
de desenvolvimento).
Propostas para resolver ou atenuar
os problemas associados com a globalização devem incluir a proteção da saúde
dos trabalhadores, visto ser este um aspecto social de importância
fundamental.
Se, por exemplo, a prática correta
da higiene ocupacional “acompanhasse” qualquer processo de trabalho, para onde quer que fosse transferido, parte
dos aspectos negativos da globalização seria eliminada; isto poderia inclusive
constituir uma ponte para a transferência de tecnologias preventivas.
Porém, não é suficiente que a
higiene ocupacional seja praticada pelas companhias que atravessam
fronteiras; é indispensável que seja
também promovida localmente. Não se pode ignorar o fato de que as piores
condições de trabalho são geralmente encontradas no setor informal e em
pequenas empresas, que freqüentemente se multiplicam ao redor de companhias
maiores (tanto multinacionais como nacionais).
Algumas companhias terceirizam certas tarefas com risco para empresas
pequenas e mesmo caseiras, a fim de escapar das exigências legais para a
proteção da saúde dos trabalhadores e do meio ambiente, e ter produção mais
barata (menos controles nos
salários e nos riscos; custos de produção muito mais baixos).
Algumas dificuldades e propostas para ação
Devemos aceitar que algo está
errado, em algum lugar, no campo de proteção da saúde dos trabalhadores pois,
apesar de existirem conhecimentos científicos e tecnológicos para prevenir a
maioria dos riscos ocupacionais, trabalhadores ainda adoecem, ficam
incapacitados, e morrem devido a seu trabalho, todo o dia, em todos os lugares
do mundo. Mesmo doenças ocupacionais
conhecidas há séculos ainda perseguem e matam nossos trabalhadores hoje em
dia.
Um relatório recente da OIT afirma,
“cerca de 270 milhões de
trabalhadores são envolvidos em acidentes do trabalho anualmente, e 160 milhões
de trabalhadores sofrem de doenças ocupacionais (não esqueçamos que estas
são extremamente sub-diagnosticadas). Pior
ainda, 12,000 crianças morrem cada
ano trabalhando em condições de risco.”
Em minha opinião, muitos problemas
resultam da falta de trabalho multidisciplinar na prática da saúde ocupacional,
para a qual o componente “higiene ocupacional” é indispensável, a fim de que
seja dada a devida importância para a prevenção primaria, que é a única maneira
de realmente evitar as doenças ocupacionais.
Com vistas a contribuir para a
melhoria desta situação altamente insatisfatória, nós, higienistas
ocupacionais, também devemos pensar sobre o que está errado quanto ao
desenvolvimento de nossa profissão e às estratégias para estabelecê-la
universalmente.
Em minha experiência, as
dificuldades que tem entravado o progresso da higiene ocupacional têm sua
origem em muitos fatores, que eu dividiria em externos e internos à
profissão, e que incluem os seguintes:
Fatores externos:
· as doenças ocupacionais são muito
sub-diagnosticadas e sub-notificadas, o que não contribui para uma forte
vontade política no sentido de evitar suas causas
· a higiene ocupacional e suas
possibilidades não são bem conhecidas por todos, sendo que existem muitas
idéias erradas a seu respeito, o que torna difícil sua aceitação e seu
reconhecimento como uma profissão indispensável, dentro da saúde ocupacional
Já ouvi afirmações como, “um higienista ocupacional é alguém que faz
medições” (e esta não foi das piores, pois certas medições fazem parte das tarefas
de higiene ocupacional, apesar de serem apenas um componente em sua
prática).
Tenho visto trabalhadores não terem confiança em nós porque acreditam
que estamos “do lado dos empregadores”, e empregadores dispensando nosso
conselho porque lutamos pela saúde dos trabalhadores, enfatizando a prevenção
primaria e o controle das fontes de risco, nem sempre tão fácil como dar uma
mascara para o trabalhador.
Fatores internos:
· falta de critérios mínimos para o
desenvolvimento e a prática da profissão, harmonizados e aceitos
internacionalmente
·
demasiada
ênfase em avaliações quantitativas, o que pode levar a recomendações
impraticáveis para amostragens e medições, e a demoras inaceitáveis em adotar
medidas preventivas mesmo quando estas
são de necessidade imediata
· abordagens preventivas inadequadas
como, por exemplo, a recomendação sistemática de medidas para controlar agentes
tóxicos já produzidos e disseminados (e.g., fornecer máscaras como solução
final do problema), sem antes estudar as possibilidades de bani-los ou evitar
sua formação
· participação insuficiente dos
trabalhadores
Em teoria, e principalmente para
nós, a higiene ocupacional é uma profissão – mas isto será verdade ? Em muitos países não é; em muitos lugares, a higiene
ocupacional não é reconhecida, e muito menos adequadamente desenvolvida. O cenário resultante (nestes casos) é geralmente o
seguinte círculo-vicioso: “pessoas inadequadamente formadas praticando
a higiene ocupacional – soluções insatisfatórias apresentadas – falta de confiança
na profissão – bloqueios quanto a seu reconhecimento, e assim por diante”.
O que podemos fazer quanto a isto
? eu não tenho todas as respostas e posso somente apresentar sugestões para vencer
algumas das dificuldades mencionadas.
Apesar de reconhecer e apreciar o muito que já tem sido e está sendo
feito, acredito que certos aspectos chave devem ser ainda mais elaborados e
amplamente promovidos.
Quanto à “fazer” higienistas ocupacionais, são
necessários maiores esforços no sentido de:
· alcançar um consenso universal
quanto a sua definição, perfil e âmbito de ação
· estabelecer, e harmonizar
universalmente, requisitos mínimos e mais rigorosos para sua formação
· implementar esquemas para
certificação, ao nível dos países.
Quanto à prática da higiene ocupacional, maior ênfase deve ser dada para:
· a prevenção primaria de riscos,
particularmente a antecipação e o controle na fonte (e.g., tecnologias limpas,
substituição de materiais tóxicos, práticas de trabalho seguras)
· uma maior participação dos trabalhadores
· um maior desenvolvimento de soluções
pragmáticas para controle de riscos, aplicáveis em pequenas empresas (quanto
a isto, devemos nos orgulhar do papel
de liderança que a IOHA esta
desempenhando quanto ao projeto “ToolKit[3]
da OIT”, o qual deverá ser testado no futuro próximo em alguns países em vias
de desenvolvimento, em colaboração com a OIT e OMS).
· mais estudos de custo-benefício
quanto a intervenções preventivas.
Não há dúvida de que uma boa base
científica é necessária para a prática da higiene ocupacional. Entretanto, não devemos nos ater somente em
aspectos como, por exemplo, se um Limite de Exposição Ocupacional deveria ser
0.20 ou 0.25 mg/m3 (que a maioria dos procedimentos analíticos
utilizados nem consegue distinguir) – ou, se um instrumento sofisticado de
leitura direta pode medir uma concentração (que está constantemente flutuando) com 3 ou 4
casas decimais. Devemos nos preocupar
muito mais sobre se, e quão
eficientemente, estas diretrizes e resultados estão sendo utilizados em intervenções
preventivas nos locais de trabalho.
Gostaria de fazer um comentário:
o fato de haver muita necessidade de soluções pragmáticas, não quer
dizer que devamos aceitar uma formação de menor nível para os higienistas
ocupacionais; muito pelo contrario, a
formação deve ser ainda melhor.
Conhecimentos e experiência muito sólidos são necessários para resolver
problemas em situações novas e únicas; é mais difícil projetar soluções
preventivas que sejam simples, eficientes, econômicas, inovadoras e aplicáveis
num pequeno local, do que medir, comparar resultados com uma lista de LEOs, e
recomendar uma solução já pronta tirada de um manual de ventilação.
Quanto a conscientizar e promover
vontade política para apoiar o desenvolvimento e a aceitação
da higiene ocupacional no mundo, deve haver maiores esforços quanto a:
· estudos multidisciplinares visando
um melhor conhecimento da magnitude dos efeitos prejudiciais de certas
exposições ocupacionais (de fato, há necessidade de reforçar a colaboração com as outras profissões de
saúde ocupacional, como a medicina do trabalho e a epidemiologia)
· novas maneiras, mais eficazes e
afirmativas, de disseminar nossa mensagem, a fim de alcançar os governos, as
instituições e organizações competentes na área, os empregadores e os
trabalhadores.
Neste contexto, não podemos esquecer
das agencias doadoras, que seguidamente liberam verbas com maior facilidade
para projetos relativos a tratamento de doenças, reabilitação e “contagem de
casos já ocorridos” do que para aqueles que visam prevenir as doenças, a
incapacidade e as mortes.
Devemos falar para o grande público,
para os jovens nas escolas, para a mídia, para outros profissionais – tais como
engenheiros, médicos, economistas, advogados, administradores, de fato, para
todos aqueles que poderão eventualmente atuar como tomadores de decisão. A fim
de que a higiene ocupacional seja universalmente reconhecida como uma
profissão, é imprescindível que haja grandes mudanças de mentalidade.
A importância da colaboração internacional,
entre organizações e associações, países e pessoas, deve ser enfatizada, aliás,
este é um dos objetivos da IOHA.
Conclusão
A industrialização e o desenvolvimento
econômico, que podem trazer muitos benefícios, inclusive para a saúde e qualidade
de vida das populações, não necessitam estar associados com efeitos adversos
para a saúde e o meio ambiente. Estas
conseqüências deploráveis podem e devem ser evitadas, e a higiene ocupacional
pode contribuir muito para isto.
O tema desta Conferencia (nossa
primeira neste novo milênio) - “Uma Nova
Era na Higiene Ocupacional” – foi muito bem escolhido. É essencial que entremos numa nova era; deve
haver algumas mudanças em nosso enfoque.
Já existem amplos conhecimentos sobre identificação, prevenção e
controle de riscos ocupacionais. O
grande desafio de nossos dias é criar condições para aplicá-los universalmente,
a tempo e de maneira eficiente.
Aos esforços para um desenvolvimento
cada vez mais aperfeiçoado de nossa profissão (indispensável tratando-se de
um campo tão dinâmico), devemos aliar um grande empenho para que a higiene
ocupacional tenha maior visibilidade e para que haja uma melhor compreensão do
quanto esta pode contribuir para um desenvolvimento saudável e
sustentável.
A luta para desenvolver e afirmar
uma nova profissão não é fácil. Entretanto, mesmo quando os sucessos são lentos
e esparsos, não devemos desistir.
Lembremos que a vitória não é somente avaliada em termos de
sucessos. Recentemente encontrei uma
definição que cabe mencionar: “vitória
é a arte de perseverar quando os outros cessam de tentar”. E é isto que eu pediria a vocês - colegas de
todas as partes do mundo: não importa
quão difícil o desafio, continuemos a tentar e, mesmo que seja só por isto, a vitória
certamente será nossa.
Muito obrigada.
[1] Do
original “The Making of the Occupational Hygienist”, discurso apresentado por
[2] Neste texto “um higienista ocupacional” será o mesmo que “um(a) higienista ocupacional”.
[3] Workplace Chemicals Control “ToolKit” (WCCK), ou seja, “Pacote”
de Ferramentas para Controle de Agentes Químicos nos Locais de Trabalho;
proporciona orientação quanto à identificação
de riscos e técnicas de prevenção e foi especialmente projetado por uma
equipe envolvendo a OIT, IOHA, e HSE (Inglaterra), e representantes dos EUA e
África do Sul, a fim de auxiliar pequenas e médias empresas.